Primeira Turma do STF volta do recesso com caso Marielle e recursos da trama golpista na pauta; veja lista

Retorno das Atividades da Primeira Turma do STF

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) está pronta para retomar suas atividades após o recesso do Judiciário, com um conjunto de julgamentos agendados que prometem atrair grande atenção. As deliberações incluem casos significativos, como o da vereadora Marielle Franco e outras pautas relacionadas a ações penais de relevância nacional.

Análise do Caso Marielle Franco

Nos dias 24 e 25 de fevereiro, os ministros da Primeira Turma estarão focados na análise da ação penal relacionada ao assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, ocorrido em 2018. Este caso é um dos mais emblemáticos da história recente do Brasil, suscitando grande repercussão pública e mobilização social.

Os réus nesse processo incluem:

STF

  • Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro;
  • Chiquinho Brazão, ex-deputado federal;
  • Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio;
  • Ronald Paulo de Alves Pereira, ex-policial;
  • Robson Calixto Fonseca, conhecido como “Peixe”, ex-assessor.

As acusações que pesam sobre eles incluem homicídio qualificado pela morte de Marielle e Anderson, além de tentativa de homicídio contra a assessora Fernanda Chaves. Há também denúncias de organização criminosa contra alguns dos acusados. O desfecho da decisão do STF se dará em uma votação onde os ministros determinarão se os réus serão condenados ou absolvidos, com possibilidade de recursos em ambos os casos.

Julgamento de Emendas Parlamentares

Outra pauta significativa será o julgamento, previsto para os dias 10 e 11 de março, sobre as supostas irregularidades envolvendo emendas parlamentares. Aqui, o processo diz respeito a deputados que estão sendo investigados por desvios de recursos.

Os parlamentares envolvidos são:

  • Josimar Maranhãozinho (PL-MA);
  • Pastor Gil (PL-MA);
  • Bosco Costa (PL-SE), que atualmente não ocupa cargo.

No total, a Procuradoria-Geral da República (PGR) está pleiteando a condenação dos acusados por organização criminosa e corrupção passiva. A denúncia alega que os deputados teriam solicitado R$ 1,66 milhão em propinas em retorno à alocação de R$ 6,67 milhões em emendas destinadas à área da saúde na cidade de São José de Ribamar (MA). As defesas contestam as alegações e negam qualquer tipo de irregularidade.

Ação Contra Eduardo Bolsonaro

Adicionalmente, a ação envolvendo Eduardo Bolsonaro também deve avançar ao longo deste semestre. A Primeira Turma já considera o deputado réu em processo que apura sua tentativa de coação no curso de um processo judicial. De acordo com a PGR, Eduardo supostamente buscou influenciar o julgamento relacionado ao seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, enquanto estava no exterior.

Esse caso está atualmente na fase de coleta de provas, e após essa etapa, será submetido ao julgamento para decisão sobre uma possível condenação ou absolvição. A data para essa análise ainda não foi definida.



Recursos da Trama Golpista

Os desdobramentos em relação a ações penais que envolvem a tentativa de golpe de Estado em 2022 também estão em pauta. A Primeira Turma concluiu no segundo semestre de 2025 o exame de ações penais referentes a três núcleos envolvidos nessas atividades. Com 23 réus totalizando, as decisões agora ingressam na fase de recursos.

Caso sejam interpostos embargos de declaração, os pedidos serão analisados coletivamente, possivelmente em formato virtual. Tal processo permitirá uma revisão das decisões tomadas anteriormente.

Condenações da Cúpula da PMDF

Em um julgamento ocorrido em dezembro de 2025, a Primeira Turma condenou cinco membros da alta cúpula da Polícia Militar do Distrito Federal em razão de sua omissão durante os eventos golpistas de 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas. Os condenados incluem:

  • Fábio Augusto Vieira, ex-comandante-geral da PMDF;
  • Klepter Rosa Gonçalves, ex-subcomandante-geral;
  • Jorge Eduardo Barreto Naime, coronel;
  • Paulo José Ferreira de Sousa Bezerra, coronel;
  • Marcelo Casimiro Vasconcelos, coronel.

Os recursos relacionados a essas condenações estão programados para serem julgados virtualmente entre 13 e 24 de fevereiro.

Mudanças no Regimento Interno do STF

A capacidade da Primeira Turma de julgar ações penais resulta de alterações feitas no regimento interno do STF em 2023, que devolveu essa competência às Turmas. Os processos sob análise possuem relatores que são ministros do colegiado, como Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin. Uma vez que os casos estejam prontos, os relatores os levam à apreciação dos demais membros da Turma.

A Importância da Transparência Judiciária

Esse retorno das atividades da Primeira Turma é essencial para a transparência do Judiciário brasileiro. As decisões a serem tomadas não apenas terão um impacto direto sobre os réus, mas também têm o potencial de influenciar a confiança do público no sistema judicial. O fato de que esses julgamentos englobam questões de grande relevância social e política ressalta a importância da monitorização e da responsabilidade dentro do sistema judiciário.

Expectativa em Relação aos Julgamentos

Os julgamentos que ocorrerão nas próximas semanas devem ser acompanhados de perto pela sociedade, dado o histórico de cada caso. A decisão sobre o caso Marielle, por exemplo, é esperada com grande expectativa pela população, que há anos busca justiça. Igualmente, a análise das ações relacionadas a emendas parlamentares poderá fornecer subsídios valiosos para a discussão sobre corrupção e moralidade no âmbito político.

O Futuro das Ações Penais no STF

À medida que o semestre avança, é esperado que novas ações penais continuem a surgir e a Primeira Turma deverá estar pronta para enfrentá-las. O acompanhamento desses processos será essencial para entender como a justiça brasileira estará lidando com casos de alta complexidade e relevância nacional. Isso não somente reflete a capacidade do STF em administrar esses processos, mas também o compromisso do Judiciário com a equidade e a justiça na esfera pública.



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