Bexiga natatória maranhense chega ao mercado asiático

A Kauan Pescados, de São José de Ribamar, tornou-se a primeira empresa do Maranhão autorizada a exportar bexiga natatória de pescado. Segundo informações do Sebrae, a empresa já prepara uma terceira remessa internacional do produto.

A iniciativa abre uma nova frente para a indústria pesqueira maranhense, que antes comercializava parte dessa matéria-prima por meio de compradores e intermediários de outros estados. O empresário Geanilton Fernandes está à frente do negócio.

A trajetória da empresa e a autorização para exportar foram apresentadas em matéria publicada em 4 de novembro de 2026. A Kauan Pescados está instalada em São José de Ribamar, na região metropolitana de São Luís.

bexiga natatória

Além do mercado asiático, o caso envolve o potencial da pescada-amarela do litoral maranhense e os desafios para escoar produtos ao exterior. O Sebrae informa que acompanha a empresa com suporte técnico para adequações e desenvolvimento comercial.

Bexiga natatória e demanda do mercado asiático

Conhecida no setor pesqueiro como “grude”, a bexiga natatória é o órgão interno que ajuda os peixes a controlar a flutuabilidade. Depois de retirada, limpa e desidratada, ela é comercializada como matéria-prima de maior valor.

Segundo as informações apresentadas pelo Sebrae, na China e em países vizinhos o produto é usado em sopas tradicionais e também abastece a indústria de dermocosméticos e cuidados pessoais. O preço pode chegar a milhares de reais por quilo em determinadas categorias.

O valor varia conforme fatores como o tamanho da peça, a espécie do peixe e a qualidade da secagem. Geanilton Fernandes aponta a pescada-amarela do litoral maranhense como uma origem de qualidade valorizada por compradores internacionais.



Da experiência de Geanilton Fernandes à autorização para exportar

A trajetória de Geanilton Fernandes no segmento começou há cerca de 15 anos, quando ele aprendeu com um tio a secar a bexiga natatória. Depois, passou a comprar e comercializar o produto e atuou como comprador no Maranhão.

Antes de uma indústria maranhense obter autorização para exportar, parte da matéria-prima do estado era negociada por empresas de outras unidades da federação, especialmente do Pará. A empresa de Fernandes só avançou para a exportação após adequar sua estrutura às exigências necessárias.

O Sebrae acompanha a Kauan Pescados há cerca de sete anos, com apoio em diferentes etapas do desenvolvimento do negócio. De acordo com Vicente Bastos, gerente da Unidade Metropolitana do Sebrae, soluções do Sebraetec contribuíram para adequar a estrutura física da indústria e aprimorar processos de comercialização e exportação.

Planos de expansão e desafios logísticos no Maranhão

A Kauan Pescados registra faturamento mensal de R$ 600 mil, segundo os dados divulgados pelo Sebrae. A empresa também pretende ampliar a venda de carne de pescado no mercado interno, aproveitando sua estrutura industrial para buscar novos canais de comercialização.

Para exportar, a empresa ainda utiliza a logística de outros estados em parte das operações. Geanilton Fernandes aponta dificuldades relacionadas à disponibilidade de serviços e aos procedimentos de fiscalização e liberação de cargas, que precisam atender às exigências sanitárias e aduaneiras.

Na avaliação do empresário, o escoamento mais direto pelo Maranhão poderia abrir espaço para pescadores e outros empreendedores negociarem seus produtos a partir do estado. A ampliação das alternativas de transporte e a articulação entre empresas e instituições públicas são citadas como caminhos para facilitar esse acesso ao comércio internacional.

O planejamento técnico do Sebrae para 2027 prevê apoiar a diversificação da carteira de produtos e a prospecção de compradores em mercados como Japão e Coreia do Sul. A empresa também pretende ampliar as exportações e a variedade de produtos comercializados.



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